sábado, 30 de maio de 2009

Fitorerápicos

Um medicamento fitoterápico é aquele alcançado de plantas medicinais, onde utiliza-se exclusivamente derivados de droga vegetal[1] tais como: suco, cera, exsudato, óleo, extrato, tintura, entre outros.[2] O termo confunde-se com fitoterapia ou com planta medicinal que realmente envolve o vegetal como um todo no exercício curativo e/ou profilático. Os fitoterápicos são medicamentos industrializados, onde são tratados através de legistação específica.[3]São uma mistura complexa de substâncias, onde, na maioria dos casos, o princípio ativo é desconhecido.[4]

O simples fato de coletar, secar, estabilizar e secar um vegetal não o torna fitoterápico. Deste modo, vegetais íntegros, rasurados, triturados ou pulverizados, não são considerados medicamentos fitoterápicos,[2] em outras palavras, uma planta medicinal não é um fitoterápico. Também não são considerados fitoterápicos os chás, medicamentos homeopáticos e partes de plantas medicinais.[5]

Assim como outros medicamentos, os fitoterápicos quando utilizados de forma incorreta podem proporcionar problemas de saúde.


Definição de órgãos regulatórios

Fitoterápico, segundo a RDC n°48 de 16 de março de 2004 da Anvisa é o medicamento obtido empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. Sua eficácia e segurança é validada através de levantamentos etnofarmacológicos de utilização, documentações tecnocientíficas em publicações ou ensaios clínicos fase 3. Não se considera medicamento fitoterápico aquele que, na sua composição, inclua substâncias ativas isoladas, de qualquer origem, nem as associações destas com extratos vegetais.[6]

Segundo a OMS, os medicamentos fitoterápicos são aqueles preparados com substâncias ativas presentes na planta como um todo, ou em parte dela, na forma de extrato total.[7]

Utilização na saúde pública

No Brasil, o Ministério da Saúde, torna disponível a utilização de medicamentos fitoterápicos na saúde pública. Desde 2007, as prefeituras brasileiras podem adquirir espinheira santa, utilizada no tratamento de úlceras e gastrites e guaco para sintomas da gripe, como a tosse, ambos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.[8][9]

Através da Portaria interministerial (2.960/2008) assinada pelo Ministério da Saúde do Brasil e outros nove ministérios (Casa Civil; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Cultura; Desenvolvimento Agrário; Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior; Integração Nacional; Meio Ambiente; e Ciência e Tecnologia) foi criado o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos com objetivo de ampliar a utilização deste tipo de medicamento pelo SUS.[10]

Também em janeiro de 2009, o Ministério da Saúde do Brasil divulgou uma lista com 71 plantas que podem ser utilizadas como medicamento fitorerápico.[11]Eis a composição da lista:

Nome científico Nome popular Uso
Achillea millefolium Mil-folhas, Dipirona Combate úlceras, feridas, analgesica
Allium sativum Alho Anti-séptico, Antiiflamatório e Anti-hipertensivo
Aloe spp (A. vera ou A. barbadensis) Babosa, áloes Combate caspa, calvíce e é antisseptico, tira lendia de piolhos e é cicatrizante
Alpinia spp (A. zerumbet ou A. speciosa) Colônia Anti-hipertensivo
Anacardium occidentale Caju Antisseptico e cicatrizante
Ananas comosus Abacaxi Mucolítica e fluidificante das secreções e das vias aéreas superiores.
Apuleia ferrea = Caesalpinia ferrea Jucá, pau-ferroverdadeiro, ibirá-obi Infecção catarral, garganta, gota, cicatrizante
Arrabidaea chica Crajirú, carajiru Afeções da pele em geral (impigens), feridas, Antimicrobiano
Artemisia absinthium Artemísia Estômago, fígado, rins, verme (lombriga e oxíuru, giárdia e ameba)
Baccharis trimera Carqueja, carquejaamargosa Combate feridas e estomáquico
Bauhinia spp (B. affinis, B. forficata ou variegata) Pata de vaca
Bidens pilosa Picão Combate úlceras
Calendula officinalis Bonina, calêndula, flor-de-todos-osmales, malmequer Feridas, úlceras, micoses
Carapa guianensis Andiroba, angiroba, nandiroba Combate úlceras, dermatoses e feridas
Casearia sylvestris Guaçatonga, apiáacanoçu,bugre branco, café-bravo Combate úlceras, feridas, aftas, feridas na boca
Chamomilla recutita = Matricaria chamomilla = Matricaria recutita Camomila Combate dermatites, feridas banais
Chenopodium ambrosioides Mastruz, erva-de-santa- maria, ambrosia, erva-debicho, mastruço, menstrus Corrimento vaginal, antisseptico local
Copaifera spp Copaíba Antiinflamação
Cordia spp (C. curassavica ou C. verbenacea) Erva baleeira Antiiflamatoria
Costus spp (C. scaber ou C. spicatus) Cana-do-brejo Combate leucorréia e infição renal
Croton spp (C. cajucara ou C. zehntneri) Alcanforeira, herva-mular, péde-perdiz Combate feridas, úlceras
Curcuma longa Açafrão
Cynara scolymus Alcachofra Combate ácido úrico
Dalbergia subcymosa Verônica Auxiliar no tratamento de inflamações uterinas e da.anemia
Eleutherine plicata Marupa, palmeirinha Hemorróida, vermífugo
Equisetum arvense Cavalinha Diurético
Erythrina mulungu Mulungu Sistema nervoso em geral
Eucalyptus globulus Eucalipto Combate leucorréia
Eugenia uniflora ou Myrtus brasiliana Pitanga Diarréia
Foeniculum vulgare Funcho Anti-séptico
Glycine max Soja Sintomas da menopausa, oesteoporose
Harpagophytum procumbens Garra-do-diabo Artrite reumantoide
Jatropha gossypiifolia Peão-roxo, jalopão, batata-de-téu Antisseptico, feridas
Justicia pectoralis Anador Cortes, afecções nervosas, catarro bronquial
Kalanchoe pinnata = Bryophyllum calycinum Folha-da-fortuna Furúnculos
Lamium album Urtiga-branca Leucorréia
Lippia sidoides Estrepa cavalo, alecrim, alecrim-pimenta
Malva sylvestris Malva, malva-alta, malva-silvestre Furúnculos
Maytenus spp (M. aquifolium ou M. ilicifolia) Concorosa, combra-de-touro, espinheira-santa, concerosa Antiséptica em feridas e úlceras
Mentha pulegium Poejo
Mentha spp (M. crispa, M. piperita ou M. villosa) Hortelã-pimenta, hortelã, menta
Mikania spp (M. glomerata ou M. laevigata) Guaco Broncodilatador
Momordica charantia Melão de São Caetano
Morus sp Amora
Ocimum gratissimum Alfavacão, alfavaca-cravo
Orbignya speciosa Babaçu
Passiflora spp (P. alata, P. edulis ou P. incarnata) Maracujá Calmante
Persea spp (P. gratissima ou P. americana) Abacate Ácido úrico, prevenir queda de cabelo, anti-caspa
Petroselinum sativum Falsa
Phyllanthus spp (P. amarus, P.niruri, P. tenellus e P. urinaria) Erva-pombinha, quebra-pedra
Plantago major Tanchagem, tanchás Feridas
Plectranthus barbatus = Coleus barbatus Boldo
Polygonum spp (P. acre ou P. hydropiperoides) Erva-de-bicho Corrimentos
Portulaca pilosa Amor-crescido Feridas, úlceras
Psidium guajava Goiaba Leucorréia, aftas, úlcera, irritação vaginal
Punica granatum Romeira Leucorréia
Rhamnus purshiana Cáscara sagrada
Ruta graveolens Arruda
Salix alba Salgueiro branco
Schinus terebinthifolius = Schinus aroeira Araguaíba, aroeira, aroeira-do-rio-grande-do-sul Feridas e úlceras
Solanum paniculatum Jurubeba
Solidago microglossa Arnica Contusões
Stryphnodendron adstringens = Stryphnodendron barbatimam Barbatimão, abaremotemo, casca-da-virgindade Leucorréia, feridas, úlceras, corrimento vaginal
Syzygium spp (S. jambolanum ou S. cumini) Jambolão
Tabebuia avellanedeae Ipê-roxo
Tagetes minuta Cravo-de-defunto
Trifolium pratense Trevo vermelho
Uncaria tomentosa Unha-de-gato Imunoestimulante, antiinflamatório
Vernonia condensata Boldo da Bahia
Vernonia spp (V. ruficoma ou V. polyanthes) Assa-peixe
Zingiber officinale Gengibre Tosse

Etapas de desenvolvimento

Etapa botânica

A etapa botânica refere-se à identificação do material vegetal. Esta etapa é de suma importância, pois diferentes espécies podem ter também efeitos diferentes. Também é avaliado a atividade do vegetal, concentração de seus princípios ativos em diferentes épocas e locais de colheita. Um vegetal pode ser confundido com outro muito facilmente.[12]

Etapa farmacêutica

Determina-se e identifica-se as substâncias de valor no vegetal. Assim é criado a forma de preparo correta, garantindo a estabilidade das amostras.[12]

Etapa de ensaios biológicos

O possível medicamento é testado em ensaios farmacodinâmicos, farmacocinéticos e toxicológicos em animais de laboratório.[12]

Etapa clínica

Esta fase é dividida em quatro seguimentos: na primeira etapa o medicamento é usado em poucas pessoas e são avaliados sus farmacocinética, farmacodinâmica, dosagem e local de aplicação; a segunda etapa testa o medicamento em doentes; a terceira etapa prolonga-se o tempo de uso e na última etapa utiliza-se um número maior de pacientes para confirmar as etapas anteriores.[12]

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